Instituto Nós do Brejo
Pesquisa e Direitos Humanos

Projeto do Nós do Brejo é aprovado pela CESE e vai mapear o racismo ambiental nas periferias de Marabá

Por Instituto Nós do Brejo • 19 de Outubro, 2026 • 3 min de leitura

Arte de divulgação: Juventudes e mulheres negras vão mapear o racismo ambiental em Marabá — projeto Vozes do Bem Viver, aprovado pela CESE, de novembro de 2026 a abril de 2027.

O Instituto de Comunicação Popular Nós do Brejo teve um novo projeto aprovado pela CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), no edital Bem Viver nas Cidades, do Programa de Pequenos Projetos. A iniciativa se chama “Cartografia popular e vozes do Bem Viver: juventudes e mulheres negras monitorando o racismo ambiental e incidindo nas políticas urbanas de Marabá” e começa em 1º de novembro de 2026, com seis meses de duração.

Por que este projeto

Marabá é uma cidade negra: 81,5% da população se declara preta ou parda, segundo o Censo 2022 do IBGE. Mas a cidade não chega igual a todos os bairros. Nas 21 favelas e comunidades urbanas reconhecidas pelo IBGE vivem quase 65 mil pessoas, e boa parte delas ainda depende de poço, de fossa e de ruas sem drenagem. No São Félix, apenas 1% das casas recebe água da rede. Cheias, calor extremo, fumaça das queimadas e lixo a céu aberto pesam mais sobre quem já tem menos direitos. É isso que se chama de racismo ambiental.

O lema do projeto resume a proposta: “Quem vive o território é quem desenha o mapa.” Em vez de esperar que os dados venham de fora, o projeto forma moradoras e moradores para produzir as próprias informações e transformá-las em reivindicações.

Como vai funcionar

O projeto reúne 35 participantes, a maioria mulheres negras e jovens de 15 a 29 anos das periferias de Marabá. Ao longo de seis meses, o grupo vai:

  • participar de um ciclo de quatro oficinas sobre direitos, racismo ambiental, cartografia social, comunicação popular e incidência política;
  • realizar escutas e caravanas nos bairros, mapeando problemas de água, esgoto, lixo, alagamentos e calor, e também as experiências de Bem Viver que já existem;
  • produzir seis episódios do podcast Ativa Cast, veiculados na Ativa Web Rádio, e duas campanhas digitais;
  • organizar um Dossiê Popular com os mapas e dados levantados;
  • escrever uma Carta Popular de Reivindicações e apresentá-la numa Audiência Pública Popular aberta à comunidade e ao poder público;
  • plantar 50 mudas de árvores nativas numa praça de um bairro periférico.

Bem Viver nas cidades

O Bem Viver é uma ideia com raízes nos povos indígenas e quilombolas: uma vida boa para todas as pessoas, em equilíbrio com a natureza, em oposição à cidade pensada só como negócio. Em 2025, a Marcha das Mulheres Negras levou cerca de 300 mil pessoas a Brasília “por Reparação e Bem Viver”. O projeto traz essa bandeira para o chão de Marabá.

Realização e apoio

O projeto é realizado pelo Instituto de Comunicação Popular Nós do Brejo, com coordenação de Daiane Conceição de Queiroz, e conta com o apoio da CESE. O Instituto entra com a estrutura e o estúdio da Ativa Web Rádio como contrapartida.

Quer participar?

As inscrições serão divulgadas em breve nas redes do Instituto (@institutonosdobrejo) e aqui no site. Coletivos, associações de moradores, grupos de mulheres e de juventude que queiram se somar podem entrar em contato pelo e-mail tvnosdobrejo@gmail.com.

Materiais do projeto

Os materiais de apoio do projeto estão abertos para baixar na página do projeto: o subsídio geral de apoio às atividades, a pesquisa sobre Marabá, território, racismo ambiental e comunicação, o plano de comunicação, o manual de identidade visual e o guia do Dossiê Popular.

Realização: Instituto de Comunicação Popular Nós do Brejo · Apoio: CESE

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